
Ao longo desta série de artigos, percorremos um caminho que consideramos fundamental para quem desenvolve projetos corporativos: compreender o perfil das pessoas e as mudanças na forma de trabalhar, conhecer profundamente a empresa e ampliar o repertório sobre as possibilidades que os espaços e o mobiliário podem oferecer.
– No primeiro artigo, discutimos por que os escritórios precisam deixar de ser pensados exclusivamente por departamentos e passar a considerar as diferentes atividades realizadas pelas pessoas.
– No segundo, mostramos a importância de um briefing aprofundado, que começa pela observação da empresa e procura compreender seu momento, sua cultura, seus objetivos e a maneira como as equipes trabalham.
– Já no terceiro, abordamos a necessidade de construir repertório, acompanhando movimentos comportamentais, pesquisas, experiências e novas soluções para os ambientes corporativos.
Agora, finalmente, chegamos ao desenvolvimento do projeto.
Mas existe uma mensagem importante por trás dessa sequência: não devemos começar diretamente pelo projeto. Quando o arquiteto inicia o layout antes de compreender a empresa e conhecer as possibilidades disponíveis, corre o risco de reproduzir soluções convencionais que nem sempre correspondem às necessidades daquele cliente.
É justamente o conhecimento adquirido nas etapas anteriores que permite transformar o projeto em algo verdadeiramente personalizado.
Como transformar as necessidades da empresa em decisões de projeto?

Com um briefing consistente e um repertório atualizado, o arquiteto passa a ter informações importantes para definir como o espaço poderá contribuir para melhorar a rotina de trabalho das pessoas.
Nesse momento, o desafio deixa de ser simplesmente distribuir ambientes e postos de trabalho em uma planta. É preciso interpretar as necessidades identificadas e transformá-las em soluções que façam sentido para aquela organização.
Imagine uma empresa que deseja estimular maior integração entre equipes que trabalham de maneira muito isolada. O projeto pode favorecer essa aproximação por meio de áreas compartilhadas, espaços de colaboração e ambientes que criem oportunidades para encontros espontâneos. Mas, se o briefing também revelou que determinadas atividades exigem períodos prolongados de concentração, será necessário equilibrar essa integração com soluções que ofereçam privacidade e conforto acústico.
Da mesma forma, uma empresa que realiza treinamentos frequentes pode se beneficiar de um ambiente flexível, capaz de receber diferentes configurações ao longo do dia. Já uma organização que atende clientes constantemente pode precisar de espaços que transmitam acolhimento, profissionalismo e privacidade, de acordo com o tipo de atendimento realizado.
Esses exemplos mostram que não existe uma configuração ideal de escritório que possa ser aplicada indistintamente a todas as empresas.

O projeto precisa considerar também como os ambientes se relacionam. Uma área colaborativa localizada ao lado de estações destinadas à concentração pode gerar conflitos de uso. Salas de reunião distantes das equipes que mais precisam delas podem dificultar a rotina. E espaços visualmente interessantes, mas pouco utilizados, podem indicar que as necessidades reais das pessoas não foram devidamente consideradas.
Por isso, desenvolver um projeto focado em atividades exige olhar para o escritório como um conjunto, avaliando os fluxos de trabalho, a circulação, as relações entre as equipes e as diferentes necessidades que precisam coexistir.
É nesse processo que as informações levantadas anteriormente começam a se transformar em decisões concretas.
O mobiliário precisa fazer parte da concepção do projeto
Existe um aspecto do desenvolvimento de projetos corporativos que merece atenção especial: o mobiliário não deve ser tratado como um elemento a ser escolhido depois que o layout estiver pronto.
As possibilidades oferecidas pelos móveis precisam ser conhecidas e consideradas durante a concepção do projeto, porque podem influenciar diretamente a organização dos ambientes e a maneira como serão utilizados.
Vamos pensar em uma sala que deverá receber reuniões, treinamentos, apresentações e dinâmicas de grupo. Se o arquiteto considerar apenas mesas e cadeiras convencionais, provavelmente desenvolverá uma configuração relativamente fixa. Mas, ao conhecer soluções como mesas dobráveis com rodízios, arquibancadas retráteis e assentos que podem ser facilmente movimentados, surgem novas possibilidades de utilização para aquele mesmo espaço.
O conhecimento sobre os produtos pode, portanto, ampliar as possibilidades criativas do projeto.

O mesmo acontece com sofás modulares, cabines de privacidade, estações com regulagem de altura, painéis acústicos e outros mobiliários que permitem criar diferentes condições de trabalho. Cada solução possui características específicas que precisam ser compreendidas para que sua aplicação realmente contribua para as atividades previstas.
É por isso que consideramos tão importante que o arquiteto mantenha um relacionamento próximo com fornecedores especializados, visite showrooms, experimente os produtos e conheça suas possibilidades de configuração, dimensões, materiais e funcionalidades.
Muitas vezes, uma solução que poderia transformar completamente a concepção de um projeto deixa de ser considerada simplesmente porque o profissional ainda não a conhece.

Conhecer o mobiliário antes de começar a projetar não limita a criatividade. Pelo contrário, amplia o repertório e permite explorar possibilidades que talvez não surgissem a partir de um layout convencional.
Essa aproximação também contribui para evitar que o projeto precise passar por adaptações significativas na etapa de especificação, quando determinadas escolhas já foram consolidadas e as possibilidades de alteração se tornam mais restritas.
A importância da consultoria técnica durante o desenvolvimento do projeto
Além de conhecer as possibilidades criativas do mobiliário, o desenvolvimento de um projeto corporativo envolve questões técnicas que precisam ser consideradas desde as primeiras definições.
Ergonomia, dimensões, características construtivas, resistência, durabilidade, possibilidades de personalização, conectividade e requisitos normativos são alguns dos aspectos que influenciam a escolha das soluções.
Uma estação de trabalho, por exemplo, não deve ser avaliada apenas por suas dimensões ou aparência. É necessário considerar o tipo de atividade realizada, os equipamentos utilizados, as necessidades de ergonomia, a passagem de cabeamentos e a integração com os pontos de energia e dados previstos para o ambiente.
Nesse contexto, a NR-17, que estabelece diretrizes relacionadas à ergonomia no trabalho, e as normas técnicas da ABNT aplicáveis ao mobiliário corporativo são referências importantes. Enquanto a análise ergonômica considera as condições de trabalho e sua adequação às características das pessoas e das atividades, as normas específicas dos produtos estabelecem requisitos relacionados às suas características técnicas e de desempenho.
São conhecimentos que fazem diferença na qualidade e na viabilidade das soluções especificadas e reforçam a importância da parceria entre arquitetos e fornecedores especializados em mobiliário corporativo.
O ideal é que essa troca aconteça durante o desenvolvimento do projeto, e não apenas quando chega o momento de solicitar um orçamento. Assim, o arquiteto pode conhecer novas possibilidades, esclarecer questões técnicas e ampliar seu repertório de soluções, contribuindo para um projeto mais consistente e adequado às necessidades da empresa.
Um escritório único não precisa ter soluções inéditas, mas soluções que façam sentido
Um dos maiores desafios de um projeto corporativo é transformar todas essas informações em uma proposta que realmente represente a empresa.
E isso não significa necessariamente criar ambientes extravagantes ou utilizar produtos exclusivos. Um projeto personalizado é aquele em que as escolhas possuem um propósito claro e respondem às necessidades das pessoas que utilizarão o espaço.
Um exemplo interessante é o projeto de mobiliário desenvolvido pela RS Design para o Cartório Nosch, em Santo André.
Tradicionalmente, os cartórios são associados a ambientes formais, com espaços de espera convencionais e uma organização bastante funcional. Nesse projeto, a proposta foi criar uma experiência diferente, considerando tanto as necessidades de atendimento ao público quanto as atividades dos colaboradores.
Na recepção, sofás modulares com configuração orgânica foram organizados ao redor de árvores, criando um ambiente de espera mais acolhedor. O projeto também contemplou diferentes necessidades de privacidade, conforto acústico, atendimento e convivência, com soluções adequadas às atividades realizadas em cada espaço.
Veja case completo do Cartório Nosch: clique aqui


O resultado mostra como o mobiliário pode contribuir para transformar a experiência de utilização de um ambiente, sem perder de vista suas necessidades funcionais.
Mais importante do que reproduzir essa solução em outros projetos é compreender o raciocínio que a tornou adequada àquele contexto.
Em outra empresa, com outro perfil de público, outras atividades e uma cultura diferente, as decisões poderiam ser completamente distintas.
É justamente essa capacidade de interpretar necessidades e selecionar soluções coerentes que torna cada projeto único.
O verdadeiro valor de um projeto corporativo
Ao chegarmos ao final desta série, fica mais evidente por que um projeto corporativo não deve começar diretamente pelo layout. Antes de projetar, é preciso compreender a empresa, suas pessoas e atividades, combinando esse conhecimento com um repertório atualizado sobre as formas de trabalhar e as soluções disponíveis no mercado.
Nesse processo, a troca com fornecedores especializados também contribui para ampliar as possibilidades criativas e técnicas do projeto. Afinal, o cliente conhece profundamente seu negócio e seus objetivos, enquanto o arquiteto possui o conhecimento necessário para transformar essas informações em espaços que façam sentido para aquela realidade.
Um escritório verdadeiramente personalizado não é aquele que possui as soluções mais inovadoras, mas aquele em que cada escolha faz sentido para as pessoas, as atividades e a realidade da organização.
E é justamente aí que está o verdadeiro valor de projetar por atividades: ir além da organização dos ambientes, criando espaços que não apenas apoiem as pessoas em suas necessidades atuais, mas também estimulem seu potencial. Afinal, um bom projeto responde às necessidades do presente, mas também pode ajudar a construir o futuro que a empresa deseja.
Conte com a RS Design para desenvolver seus projetos de mobiliário corporativo
A RS Design oferece consultoria especializada em mobiliário corporativo para apoiar arquitetos na escolha de soluções adequadas às necessidades de cada projeto. Além dessa troca de conhecimentos, disponibilizamos ferramentas, referências e espaços de inspiração para contribuir com o processo criativo e o desenvolvimento dos ambientes:
- Biblioteca 3D: modelos de produtos para incorporar aos projetos.
- Inspire-se: moodboards, referências de ambientes e tours virtuais para explorar novas possibilidades de criação.
- Espaço do Arquiteto: artigos e estudos sobre o universo corporativo, as mudanças de comportamento e suas relações com os espaços de trabalho.
- Showroom: conheça os produtos de perto, experimente suas funcionalidades e descubra novas possibilidades para seus projetos.
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