O briefing também mudou. Está na hora de projetar por atividades.

(Artigo 2 da série "Projetar por Atividades")

No artigo anterior mostramos que os escritórios deixaram de funcionar por departamentos e passaram a funcionar por atividades.

Mas isso gera uma nova pergunta.

Se o projeto já não começa definindo salas, por onde ele começa?

A resposta começa muito antes da planta baixa.

Ela nasce de um briefing capaz de compreender a empresa, sua cultura, suas pessoas e seus objetivos. E nasce também do repertório do arquiteto, construído por meio da observação constante das transformações no mundo do trabalho, do comportamento das pessoas e das soluções disponíveis para responder a essas mudanças.

Neste artigo vamos falar sobre o que deve conter um bom briefing corporativo voltado para as pessoas e o quanto o repertório do arquiteto vai ajudar a compor o projeto assertivo para cada situação.

A soma do briefing e o do repertório do arquiteto impulsiona o início do projeto corporativo. 

Podemos definir o preparo de um projeto em 4 pilares.
Vamos começar com três:

  1. Conhecimento da empresa.
  2. Conhecimento das pessoas.
  3. Conhecimento do que está acontecendo no mundo do trabalho.
  4. O quarto pilar é o próprio PROJETO. Quando todo esse conhecimento será utilizado para desenvolver um projeto realmente personalizado. E isso será tema de outro capítulo desta série. 

1. Conhecendo a empresa, o negócio do cliente!

Todo projeto corporativo começa com uma investigação.

Antes de falar sobre salas, mesas ou estações de trabalho, vale entender a empresa.

  • Qual é o segmento de mercado? Modelo de negócio?
  • Qual é o momento da empresa? 
  • Quais as perspectivas futuras? 
  • Está contratando? 
  • Está reorganizando equipes? 
  • Busca estimular inovação? 
  • Precisa fortalecer a cultura? Precisa melhorar a integração?
  • Quais desafios motivaram este novo projeto?

Cada resposta muda completamente a forma de pensar o projeto.

Duas empresas com o mesmo número de colaboradores podem precisar de escritórios completamente diferentes, dependendo de seus objetivos. E um bom projeto precisa responder ao negócio antes de responder ao layout.

A visita ao escritório vale mais do que muitas respostas

Sempre que possível, tem algo que é importante acontecer antes mesmo da reunião de briefing: a visita ao ambiente.

É caminhando pelo escritório que o arquiteto começa a enxergar informações que muitas vezes nem aparecem durante o briefing.

É importante observar se as pessoas improvisam reuniões em determinados lugares, se existem áreas sempre vazias, como acontece a circulação, onde surgem conversas espontâneas, se existem espaços que estimulam encontros, ou se os espaços acabam afastando as pessoas.

Também é nesse momento que se percebe como o mobiliário está sendo utilizado. Ou, muitas vezes, como ele está limitando novas formas de trabalho.

Mais do que confirmar informações, a visita revela oportunidades de melhoria.

E muitas vezes essas oportunidades nem haviam sido percebidas pelo próprio cliente.

Entendendo a cultura da empresa

Toda empresa possui uma forma própria de trabalhar. Ela também estabelece comportamentos que são incentivados, tolerados ou desencorajados dentro da organização.

Algumas estimulam autonomia. Outras valorizam processos bem definidos.

Algumas tomam decisões de maneira colaborativa. Outras possuem estruturas mais hierárquicas.

Tudo isso influencia o projeto, porque o escritório funciona melhor quando é uma extensão da cultura da empresa, comunicando valores e estimulando comportamentos.

2. Entender as pessoas e a forma como trabalham

O briefing deixou de levantar ambientes. Passou a levantar comportamentos.

Durante muito tempo o briefing corporativo respondia perguntas como: Quantos funcionários existem? Quantas salas de reunião serão necessárias? Quantas posições de trabalho?

Essas informações continuam importantes. Mas já não são suficientes.

Hoje é preciso compreender como as pessoas trabalham.

Uma boa forma de construir esse briefing é acompanhar a rotina da empresa, já pensando em direcionar o projeto para “atividades”.

Vale levantar perguntas como:

  • As pessoas trabalham no modelo presencial ou híbrido?
  • Qual percentual de pessoas no presencial e com que frequência? Existem dias da semana de pico? Quais locais mais procurados?
  • Existem espaços sempre vazios?
  • Quais os tipos de atividades acontecem diariamente?
  • Onde acontecem conversas espontâneas?
  • Onde as pessoas improvisam reuniões?
  • Hoje, existe a necessidade de reservas de sala?
  • Quais atividades exigem colaboração?
  • Quais funções exigem mais privacidade?
  • Como acontecem as videoconferências?
  • Existem treinamentos frequentes?
  • Os dias presenciais concentram quais atividades?

Essas respostas mostram quais experiências o escritório precisa oferecer.

É aqui que começa o verdadeiro conceito de projetar por atividades.

3. O repertório do arquiteto também faz parte do projeto

Nenhum briefing, por mais completo que seja, consegue responder sozinho a todos os desafios de um projeto corporativo.

O arquiteto também precisa conhecer aquilo que está acontecendo fora da empresa.

As formas de trabalhar continuam evoluindo. Novas gerações chegam ao mercado. Tecnologias transformam a maneira como as equipes colaboram. Mobiliário e equipamentos são desenvolvidos para atender essas mudanças.

Quem projeta espaços corporativos precisa acompanhar esse movimento continuamente. Seja visitando feiras, conhecendo projetos de referência, observando diferentes empresas, acompanhando estudos de comportamento e trocando experiências com parceiros fornecedores.

Porque muitas vezes a solução que uma empresa procura já foi experimentada em outro contexto. E conhecer essas referências permite criar projetos mais consistentes, atuais e preparados para acompanhar as transformações do trabalho.

Projetar por atividades exige muito mais do que um bom levantamento de informações. Exige compreender o negócio, observar as pessoas e manter um olhar atento para as transformações que continuam acontecendo no mundo do trabalho.

Quando esses três pilares caminham juntos, o briefing deixa de ser apenas uma etapa inicial do projeto. Ele passa a ser o alicerce para decisões muito mais estratégicas.

Depois de compreender a empresa, as pessoas e as atividades, chega o momento de transformar todas essas informações em soluções concretas. Mas antes de chegarmos no desenvolvimento do projeto, vamos falar no próximo artigo das principais atualizações de comportamento das pessoas no trabalho e sobre os rumos do corporativo. Essa é nossa forma de colaborar com o repertório dos arquitetos e que acreditamos ser tão importante quanto um briefing bem elaborado para a criação de espaços focados nas pessoas e nas suas atividades.

Siga adiante e continue nos acompanhando…

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