Biofilia –Importantes apontamentos para a arquitetura

Nesse projeto desenhado pela RS Design, biofilia é carro-chefe

A biofilia está em alta. O termo que define um movimento para ampla incorporação da natureza nos espaços construídos pelo homem (clique AQUI para saber mais sobre essa definição) foi o assunto escolhido por Melanie O’Brien, aluna de mestrado em arquitetura em Dublin, na Irlanda, para sua monografia intitulada Biofilia – Percepção do Meio Ambiente.

Devido à sua importância no atual cenário da arquitetura corporativa que preza pelo bem-estar no ambiente de trabalho e reconhece que o contato com a natureza tem efeitos muito benéficos para os seres humanos, optamos por destrinchar esse trabalho que traz percepções muito úteis a quem projeta no formato H2H (se não sabe o que isso significa, clique AQUI e entenda).

Para Melanie, biofilia é a conexão entre o ambiente natural, o corpo humano e a mente, sendo indispensável que essa tríade esteja inserida em todo e qualquer ambiente construído que preze pela manutenção da estabilidade e do conforto de seus ocupantes.

Segundo mencionado na publicação, a mente humana evoluiu para funções superiores que envolvem criatividade, inovação e pensamentos abstratos; porém ainda seguimos com inclinações primitivas e instintivas. E é nessas inclinações que nos sentimos carentes de natureza.

Considerando a biofilia uma plataforma para discussão mais ampla da arquitetura, a mestranda afirma que os arquitetos têm, por ímpeto, aumentar a conexão entre os ambientes internos e externos. Um exemplo está nas constantes criações de espaços a partir dos jardins. Mas sendo habitual, muitas vezes esses profissionais deixam de questionar a real importância disso. E, assim, acabam por projetar em um modo automático, perdendo possíveis ganhos de resultados na entrega final ao cliente.

“Almejamos conexão com o mundo natural, seja por uma brisa fresca, por um lugar ao sol, ou simplesmente pela possibilidade de ouvir o barulho da chuva caindo no telhado. Somos embalados em conforto e contentamento quando nos conectamos com o mundo natural ao nosso redor”, diz Melanie em sua monografia.

A publicação Biophilic Design: The Architectureof Life, de Judith Heerwagen e Bill Finnegan, material utilizado como referência pela estudante, diz que “os grandes arquitetos perceberam intuitivamente essas coisas”. E, sim, de fato essa busca pela imersão da natureza no ambiente foi algo crescente ao longo do tempo. Mas, um ponto é fundamental na visão da especialista: desde que o homem ganhou a capacidade de influenciar o ambiente que ocupa, passou a escolher pela inserção de itens naturais.

Oito atributos do design biofílico, por Stephen Kellert em seu livro Building for Life:

  1. Perspectiva – Capacidade de enxergar ao longe para intensificar a relação do usuário que está no espaço interno com o que ele visualiza no espaço externo
  2. Refúgio – Sensação de proximidade, de acolhimento e segurança em escala mais humana
  3. Água – Um dos mais fortes elementos naturais que pode estar tanto no ambiente interno quanto no externo
  4. Biodiversidade – A sensação de estar perto da natureza não se limita à presença de apenas um elemento natural
  5. Variabilidade sensorial – Sensações de calor e frio, umidades diferenciadas, texturas e cores despertam emoções diferentes em um mesmo espaço
  6. Biomimética (entenda o termo AQUI) – Ambiente interno que se espelha – e se inspira – em formas e elementos naturais
  7. Senso de diversão – Leveza e lazer para a construção da qualidade de vida
  8. Sedução – Ser atraído por um ambiente externo mais interessante e luminoso do que aquele que está sendo ocupado

Como conclusão, Melanie aponta que o homem se afastou do mundo natural através da tecnologia e de suas extensões que, aos poucos, foram tão incorporadas a nossa cultura que não podem mais ser isoladas. Mas que isso não deve ser visto apenas com negatividade, já que essas tecnologias também contribuem com a criação de escopos de design biofílicos que trazem, de volta, o contato do homem com a natureza.

“É necessária uma coreografia cuidadosa para criar um espaço biofílico bem-sucedido”, diz a especialista no texto. “Para que qualquer movimento permaneça predominante, e para que o progresso seja alcançado, é preciso discutir sobre a natureza e o ambiente em uma plataforma de design mais acessível”, complementa.

Quer saber mais sobre como a biofilia impacta positivamente os espaços de trabalho? ESTE POST traz exatamente a importância da natureza nos escritórios e ESTE TEXTO fala sobre o distúrbio do déficit de natureza, uma patologia sentida em tempos de ausência de elementos naturais no ambiente construído. Aproveite para conferir, também, nossa matéria sobre o AmazonSpheresof Seattle, um dos ambientes mais incríveis construídos com base na biofilia. Clique AQUI para ler.

 

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