“Zoom Fatigue” – Videoconferências constantes geram exaustão

Profissionais têm passado muitas horas em videoconferências.

Profissionais têm passado muitas horas em videoconferências.

No início da pandemia do novo coronavírus, houve uma percepção de que os profissionais que tinham sido direcionados ao trabalho remoto apresentavam alta produtividade. Porém, verificou-se que essas pessoas na verdade se encontravam em uma situação totalmente atípica: restrição para sair de casa, pressão no trabalho, medo de perder o emprego, e falta de experiência na organização do tempo a fim de segmentar com clareza o horário de expediente.

Obrigados a permanecer em casa, os trabalhadores – principalmente os administrativos que conseguem desempenhar a maior parcela de suas atividades remotamente – começaram a sentir as dificuldades que o home office traz, entre elas a falta de divisão entre vida profissional e vida pessoal, a sensação de distanciamento dos negócios da empresa, a falta de motivação e a falta de atividades de inovação.

Mas há uma dificuldade que ninguém estava prevendo e que está sendo chamada de “Zoom fatigue”, ou, na tradução para o português, “fadiga do Zoom”. O aplicativo para videoconferências Zoom tem sido protagonista dos trabalhos remotos. Agora, todas as reuniões que antes eram presenciais estão sendo realizadas por videoconferência e os eventos, debates, mesas redondas e painéis também estão sendo transmitidos dessa forma. Isso sem falar nos happy hours e nos bate papos entre amigos e familiares que também ganharam o advento da câmera para tornar as pessoas mais próximas.

É normal encontrar trabalhadores com pelo menos um encontro virtual por dia agendado. Isso quando não são vários, dominando grande parte da agenda.

Acontece que a substituição do encontro presencial pela videoconferência não é tão simples assim e está fazendo com que as pessoas fiquem ainda mais exaustas. “Já não bastasse todo o estresse causado pela incerteza proveniente da pandemia, os profissionais estão tendo grandes impactos mentais por conta dessa nova rotina que se instalou. É preciso cuidar da saúde mental desses trabalhadores para que não tenhamos uma grande quantidade de afastamentos num futuro próximo”, comenta Lisandra Mascotto, da RS Design.

O que os especialistas estão dizendo é que as videoconferências fazem com que os profissionais, ao final de uma jornada diária de trabalho, sintam um cansaço extremo como se tivessem passado o dia inteiro em uma interminável reunião presencial.

A explicação dos estudiosos está no fato de que em um diálogo frente a frente o cérebro não precisa ficar tão focado nas palavras que estão sendo ditas, visto que ele absorve outras tantas informações não verbais como postura, olhares, movimentos corporais e frequência respiratória.

Segundo Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da UERJ, em entrevista para a Revista Veja, somos seres sociais. “Perceber essas pistas no contato direto é natural, requer pouco esforço cognitivo e pode estabelecer bases para relações mais íntimas como a amizade”, explica.

Isso muda completamente quando a comunicação se dá por uma chamada de vídeo. “Na videoconferência essa habilidade é parcialmente prejudicada e a imagem da galeria onde todos os participantes da reunião aparecem desafia a visão central do cérebro forçando-o a decodificar tantos indivíduos simultaneamente, o que gera tensão e estresse”, complementou.

A sala para videoconferências da Amexio, na França, sai do tradicional. Em vez de uma ampla mesa de reuniões, aposta em uma arquibancada para que as pessoas se sentem confortavelmente. Em tempos de pandemia, ainda auxilia na manutenção do distanciamento.

A sala para videoconferências da Amexio, na França, sai do tradicional. Em vez de uma ampla mesa de reuniões, aposta em uma arquibancada para que as pessoas se sentem confortavelmente. Em tempos de pandemia, ainda auxilia na manutenção do distanciamento.

Com base nisso, chegamos à conclusão que é impossível que esse padrão no qual toda e qualquer reunião se dê virtualmente seja instituído como o “novo normal”. A perspectiva é a de que tenhamos, de fato, ambientes híbridos (você pode ler mais sobre isso clicando AQUI).

“Acreditamos que os escritórios – que já estão retomando suas atividades seguindo as normas de higiene e de distanciamento social – apostem em espaços com mais tecnologia. Assim, as salas de reuniões receberão tanto as pessoas presencialmente quanto as que estão à distância, fazendo uma videochamada complementar, mas não integral”, explica Lisandra.

O que a especialista da RS Design visualiza é realmente um trabalho em escala. A fim de não ter tantas pessoas juntas em um mesmo ambiente corporativo, as chamadas por vídeo continuarão acontecendo, mas em vez de fazer reuniões com cada um em sua casa, teremos reuniões onde parte da equipe está no escritório e a outra parte em home office.

Para isso, os ambientes corporativos precisam estar adaptados, investindo em locais com tecnologia agregada. Até porque falhas na transmissão das videoconferências também foram apontadas pelos especialistas como causadoras de cansaço mental.

A chinesa Lightspace apostou forte na tecnologia. Por lá as vídeo chamadas podem ser feitas em uma sala similar a uma sala de cinema. Assim todos se comunicam de forma proveitosa.

A chinesa Lightspace apostou forte na tecnologia. Por lá as vídeo chamadas podem ser feitas em uma sala similar a uma sala de cinema. Assim todos se comunicam de forma proveitosa.

Quanto ao pessoal que continua em home office, uma boa alternativa é marcar reuniões presenciais no escritório com pequenos grupos de pessoas, em ambientes totalmente preparados, tanto para a proteção de todos como para a motivação.

As atividades que envolvem inovação e ideias estão muito relacionadas à conexão entre as pessoas. E o contato pessoal (com todos os cuidados de distanciamento e higiene) ainda é o melhor caminho para gerar soluções para a empresa.

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