Projeto biofílico e projeto sustentável – São a mesma coisa?

Neste projeto desenhado pela RS Design há muito espaço para o verde.

Vamos começar esse post sendo taxativos: um projeto biofílico é diferente de um projeto sustentável. Podemos, inclusive, dizer que eles se complementam. Mas vamos detalhar um pouco mais para que fique fácil de compreender o que cada uma dessas vertentes quer dizer dentro da arquitetura.

Importante enfatizar que tanto o projeto biofílico quanto o projeto sustentável dizem respeito à relação entre ambiente construído, homem e natureza. Porém, enquanto a biofilia atua para suprir as necessidades humanas de contato com o meio ambiente, trazendo para os espaços físicos elaborados pelos seres humanos conceitos, contextos e texturas naturais; o projeto sustentável investe em infraestruturas capazes de reduzir ao máximo o impacto que nós causamos na natureza durante a nossa existência.

Durante algum tempo, os edifícios eram construídos para que fossem extremamente funcionais, sempre pensando na nossa rotina e nas nossas necessidades dinâmicas. Mas, com o passar dos anos e com os avanços da ciência – inclusive da neuroarquitetura – os especialistas notaram que os projetos não podiam atender apenas nossas demandas de produtividade, precisavam também colaborar com nossas carências emocionais.

E foi assim que os projetos biofílicos começaram a surgir. A criação de ambientes mais saudáveis que promovam experiências multissensoriais com a natureza, estimula a sensação de conforto, bem-estar e melhora, até mesmo, o nosso desempenho cognitivo. Mas o que está envolvido nessa criação?

A inclusão de mais áreas verdes dentro dos espaços fechados por meio de plantas diversas, bem como a construção de locais que permitam a contemplação da natureza, a exemplo de varandas com acesso visual ao céu ou janelas maiores direcionadas aos jardins, são alguns exemplos. Mas os caminhos são inúmeros e envolvem todos os nossos sentidos.

Há quem opte, por exemplo, pela integração de fontes de água para permitir que o som produzido por esse mecanismo soe como um momento de tranquilidade em dias corridos. Isso sem falar na adoção de texturas mais naturais como pedras e madeiras mais rústicas, aproximando nosso tato ao que sentimos quando estamos junto à natureza.

Agora, como o projeto de um edifício torna-se sustentável? Criando alternativas para que aquela ocupação afete o menos possível a natureza. Isso significa, por exemplo, investir em um sistema de refrigeração que gaste menos energia; apostar em energia solar; incorporar, ao prédio, uma boa estratégia de gestão de resíduos sólidos urbanos; adotar estrutura luminotécnica com lâmpadas eficientes e ecológicas; e ter sistemas de reaproveitamento da água da chuva e de melhor gestão hídrica são algumas alternativas.

E por que sugerimos que os projetos se complementam? Pois imagine um projeto de arquitetura corporativa, um escritório que preza pela boa relação do homem com a natureza e quer refletir essa preocupação no ambiente construído. Quando o profissional opta por criar janelas amplas para permitir a maior entrada de luz solar e uma ventilação natural, ele contribui com o projeto de sustentabilidade do espaço. Ao mesmo tempo em que entrega, ao ocupante, a possibilidade de manter contato visual com o ambiente externo, permite que aquele espaço tenha menos necessidade de uso de energia para iluminação e ar-condicionado.

Outro exemplo: a opção por elementos naturais interfere diretamente no conforto térmico dos espaços. Pedras esfriam, madeiras esquentam. Enquanto se define o que é preciso para esse conforto térmico, também se define como será a sensação de toque das pessoas nessa opção pelo vínculo natural.

Essa relação entre projeto biofílico e projeto sustentável mostra como a arquitetura vem sendo uma somatória de conhecimentos que raramente se sobrepõem, mas sim de completam.

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