Os escritórios em 2030 – The Green Office

Na Holanda, o projeto dos escritórios da Rabobank está totalmente alinhado com os conceitos de um edifício flexível e sustentável: muita iluminação natural, biofilia e bem-estar.

Nas últimas duas semanas falamos sobre os conceitos “The Smart Office” e “The Human Office”, ou seja, enfatizamos quais são as principais tendências tecnológicas e humanas para os escritórios que estão se consolidando nessa década. Agora vamos abordar um terceiro conceito indispensável aos espaços corporativos do futuro: The Green Office. Isso nos leva a falar sobre a valorização da manutenção do meio ambiente natural e social, conceito já inerente nas novas gerações.

E, como o próprio nome já diz, também falaremos sobre verde, natureza, envolvimento do homem com o meio ambiente, e como o bem-estar também está incluído no conceito de sustentabilidade.

O primeiro ponto que precisa ser esclarecido é: o que é sustentabilidade e como ela está atrelada aos ambientes construídos?

Ser sustentável é, acima de tudo, se preocupar com a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, utilizando-os de forma que não falte nada ao próximo. A sustentabilidade é o que garantirá que as gerações futuras possam continuar existindo, se mantendo e vivendo em harmonia.

Quando atrelamos esse conceito à arquitetura, chegamos a uma infinidade de posicionamentos que reforçam a tese de que os ambientes construídos devem fazer parte do meio ambiente sem impactá-lo drasticamente. Para isso, uma sequência de ações deve ser tomada durante a elaboração do projeto para a garantia de preservação ambiental. Há, inclusive, uma revisão mundial nos códigos de construção civil para que as obras possam ter uma menor emissão de CO2 e, assim, contribuir com o combate ao aquecimento global.

Mas ser sustentável não pode ser definido assim de forma tão simplista. Para Catia Lisboa, especialista em sustentabilidade e participante do Curso de Atualização Profissional da QUALIDADE CORPORATIVA® Smart Workplaces, que inspirou a realização dessa sequência de posts, “sustentabilidade hoje está muito ligada às questões de saúde e bem-estar das pessoas”. Para ela, vivemos um marco para mudanças de mentalidade, comportamento e atitudes dentro das empresas, o que nos leva a uma gestão humanizada.

Essa percepção vai ao encontro do que preza a Organização das Nações Unidas (ONU), responsável pela divulgação de uma lista com 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável. Além de mencionar tópicos como energia limpa, criação de cidades e comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis e as ações contra a mudança global do clima, também se manifesta a respeito da erradicação da pobreza, da luta pela fome zero, saúde e bem-estar, de uma educação de qualidade e da igualdade de gênero.

Podemos afirmar, então, que a sustentabilidade está vinculada a um equilíbrio entre todos os seres vivos pela melhor qualidade de vida no planeta.

Na Polônia, o escritório da Nordea traz soluções baseadas na vegetação para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e o ideal é que este tipo de bem-estar esteja atrelado às atitudes sustentáveis da empresa.

E o que são os “green buildings”?

Antes de falarmos sobre o espaço, precisamos trazer à tona um debate que já mencionamos nos dois posts anteriores dessa série: as novas gerações de profissionais prezam por um trabalho com propósito. Ou seja, vislumbram atividades com metas e objetivos claros e que condizem com suas percepções de vida. Sabendo disso e sabendo que estamos a cada dia mais envolvidos com a sustentabilidade, uma empresa que quer conquistar (e reter) bons talentos em um acirrado mercado de trabalho deve ser uma empresa preocupada com o meio ambiente.

Tanto que um estudo realizado pela OnePoll no início de 2020 mostrou que 84% dos entrevistados gostariam de ver suas empresas fazendo mais pela preservação ambiental. Além disso, mais da metade deles disseram que ficariam mais motivados e produtivos se a empresa reduzisse as emissões de carbono. Lembrando, sempre, que o conceito de sustentabilidade envolve a manutenção do meio ambiente, da economia e do meio social no qual a empresa está inserida.

Eleita em 2019 como a sexta empresa mais sustentável do mundo pela Forbes, a Prologis, dos Estados Unidos, traz toda a sustentabilidade para seu escritório investindo em iluminação natural e excelente paisagismo

Passamos, agora, para a compreensão sobre os “green buildings”, construções que buscam zerar os impactos negativos no meio ambiente, revertendo-os em impactos positivos. Isso significa, entre tantas possibilidades, utilizar energia renovável, praticar a reciclagem, prezar pela qualidade do ar que os ocupantes respiram e garantir a qualidade de vida desses frequentadores. Há, inclusive, uma preocupação sustentável dentro do conceito “The Smart Office” que já abordamos anteriormente, visto que um ambiente tecnológico preza pela redução do uso de papel, substituindo tudo o que for possível por arquivos digitais, e garante, com a automação, que nenhuma energia seja desperdiçada.

O mobiliário da RS Design é produzido com estrutura modular para ser remanejado em caso de necessidade de mudança no escritório. Para isso existe RS Move Service, um serviço que realiza o remanejamento, envolvendo o conceito de reutilização dos mesmos móveis, proporcionando economia de recursos.

E quais ações sustentáveis veremos nos escritórios ao longo dessa década?

Além de edifícios inteiros com conceito de sustentabilidade, muitas pequenas ações estão se fortalecendo: apostar em mobiliários flexíveis e que possam ser montados em uma formatação e, se necessário, depois desmontados e remontados sem perder sua funcionalidade e estética; teremos cada vez menos papel circulando pelos ambientes e cada vez mais investimento em tecnologia capaz de reduzir o consumo de energia; projetos para utilização de energia solar; e a inclusão de elementos naturais (plantas, texturas, água, maior luminosidade) ou a garantia de acesso fácil a esses elementos (como varandas, jardins e sacadas) também estão em alta.

Aqui, podemos aproveitar para abordar, também, a biofilia, que tem um conceito diferente de sustentabilidade, porém é complementar. Biofilia está muito ligada à experiência que um ambiente construído com foco em elementos da natureza pode transmitir aos seus ocupantes. Já falamos bastante deste tema e você pode conferir mais clicando AQUI.  Um bom exemplo disso é o The Spheres, sede da Amazon nos Estados Unidos que reúne muitos elementos naturais e encanta quem conhece (também temos um post sobre esse edifício, clique AQUI para acessar).

Assim, podemos concluir que o “melhor dos mundos” é criar ambientes construídos com bases sustentáveis e que contenham conceitos de biofilia, criando experiência de imersão na natureza e, ao mesmo tempo, fazendo de tudo para mantê-la ao nosso redor.

No próximo artigo falaremos do Healthy Office que completa os quatro pilares do escritório do futuro. Continue com a gente!

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