No ambiente flexível, como fica a ergonomia?

Quais são as principais características de um escritório definido como “moderno”? Salas de descompressão com mesas de sinuca, sofás e pufes coloridos, mesas de diferentes tipos e diferentes alturas para que as pessoas escolham onde trabalhar, arquibancadas com almofadas, etc. Mas quem olha de fora, acostumado a construir ambientes corporativos, pode pensar: como fica a ergonomia nesses casos?

Regulada pela ABNT NR 17 – conjunto de normas que trata da utilização de materiais e mobiliário ergonômico, condições ambientais, jornadas de trabalho, pausas, folgas, estabelecido pelo Ministério do Trabalho na década de 1990 para garantir a saúde e o bem-estar do trabalhador – a ergonomia dentro dos escritórios é assunto sério e deve ser encarado com atenção e estratégia.

Porém, com o advento da tecnologia e os avanços científicos, muito do que se acreditava há duas décadas foi sendo melhor analisado. Hoje, por exemplo, existem estudos que comprovam que melhor do que permanecer oito horas por dia (a jornada padrão do trabalhador brasileiro) sentado em uma cadeira totalmente ergonômica, é estar em movimento. Trabalhar na bancada, trabalhar em pé, trabalhar de forma mais confortável em um sofá, ou mesmo trabalhar acomodado em um pufe (confira AQUI um post que fala exatamente sobre esses estudos).

A flexibilidade, tema que vem sendo amplamente usado pelos arquitetos focados em projetos corporativos, é importante para garantir estímulos diferentes a profissionais imersos em atividades diversas. Para mais criatividade, salas coloridas e que estimulem o cérebro. Para mais foco, estações de trabalho ou casinhas acústicas. O corpo humano carece de movimento e quanto mais esse movimento puder estar dentro das empresas, melhor.

Uma corporação não pode exigir que um profissional passe todo o seu dia de trabalho acomodado em um pufe sem encosto e com uma má postura. Mas ele pode permitir que esse mesmo profissional trabalhe algumas horas em uma mesa com altura ajustada e uma cadeira com braços, apoio para os pés e para as costas e, por alguns minutos do dia, refresque sua atenção trocando ideias e conhecimento com parceiros em uma sala repleta de sofás aconchegantes. Aqui, podemos entender que a regra é: a empresa deve oferecer opções, a escolha será do profissional.

Um artigo de especialização publicado em 2014 por Patrícia Aparecida de Matos via Universidade Federal do Paraná traz um estudo de caso sobre a contribuição da ergonomia para a redução do índice de absenteísmo. Na pesquisa, a então estudante de pós-graduação analisou a apresentação de atestados médicos por uma equipe de trabalho de uma empresa automotiva curitibana antes e depois de uma intervenção ergonômica. Como resultado, observou uma redução expressiva no número de afastamentos. Em 2011 foram 494 atestados médicos. Em 2013, apenas 157.

Paralelamente a esse estudo no Paraná, um outro estudo realizado por DemetLeblebici, PhD da Universidade de Okan, junto a uma instituição bancária da Turquia observou como o ambiente físico e comportamental da empresa impacta a produtividade e os afastamentos. Como conclusão, também aponta que há total interferência do espaço na lucratividade da empresa.

Como resultado de todo esse questionamento, entendemos que é papel do arquiteto corporativo estar atento à estudos e compreensões sobre o comportamento humano nas empresas a fim de criar as melhores alternativas em infraestrutura para cada projeto específico. Lembrando, sempre, que cada empresa é única e cada ser humano tem suas particularidades que podem muito bem ser respeitadas quando um escritório é projetado de forma humanizada e dedicada.

Aqui, no Espaço do Arquiteto, trazemos semanalmente os temas mais relevantes e inovadores dentro do conceito da arquitetura corporativa. Veja em nosso acervo de notícias muito material sobre HUMANIZAÇÃO, NEUROARQUITETURA e PROJETOS CORPORATIVOS.

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