Conhecimento, empatia e colaboração – Pilares para a criação de espaços corporativos amados por todos

*Por Lisandra Mascotto

A Internet chegou de mansinho e, aos poucos, interferiu drasticamente nas relações humanas. Tanto que Zygmund Bauman, reconhecido sociólogo e filósofopolonês, afirmava que vivemos um momento de frouxidão nas relações sociais, situação que nos leva a manter relacionamentos mais frágeis por meio de equipamentos eletrônicos e redes sociais.

Em uma de suas mais famosas colocações, Bauman disse que “tudo é mais fácil na vida virtual, mas perdemos a arte das relações sociais e da amizade”. Ele faleceu em meados de 2017 e não vivenciou a pandemia de covid-19, mas parece que já sabia como nos comportaríamos quando nos colocassem em um isolamento forçado.

Isso porque essa sensação descrita pelo sociólogo há bastante tempo foi muito sentida pelos trabalhadores que se viram obrigados a abandonar seus postos de trabalho para desenvolver suas atividades profissionais integralmente em home office. A vida parecia mais fácil, já que não precisávamos do deslocamento diário e até mesmo economizávamos dinheiro estando em casa. Mas, ao mesmo tempo em que a facilidade nos alcançou, perdemos (e muito) em nossas relações.

Tanto que diversas pesquisas mostraram que os trabalhadores gostavam sim do home office, mas não para sempre e nem todos os dias. Eles sentiam falta dos colegas, do contato, da sociabilidade. Foi então que abraçamos o trabalho híbrido.

Aqui no Espaço do Arquiteto, falamos bastante sobre como esse novo modelo de trabalho estava ganhando força e qual o papel dos arquitetos e designers de interiores em auxiliar as empresas a adaptarem seus escritórios para receber essa geração de trabalhadores pós-pandemia.

Mas não podemos agir como se existisse uma receita de bolo pronta a ser seguida. Para contribuir de fato com as empresas, criando ambientes de trabalho saudáveis e agradáveis, a gente precisa resgatar aquilo que Bauman dizia que estávamos perdendo: as relações humanas.

Se estamos trabalhando para resgatar a interação social que o novo coronavírus tirou dos trabalhadores, não podemos criar projetos e layouts sozinhos, sem ouvir o que esses trabalhadores e essas empresas têm a dizer.

A elaboração de espaços corporativos pós-pandêmicos precisa de três pilares:

Conhecimento para que saibamos exatamente quais as principais tendências aplicáveis a cada situação.

Empatia para que consigamos sempre nos colocar no lugar dos usuários daquele espaço a fim de entender suas necessidades e desejos, refletindo tudo isso no projeto.

Colaboração para que esse ambiente seja diverso, inclusivo e, acima de tudo, feito por todos e para todos.

É como se os profissionais de arquitetura e design tivessem o poder de capturar as demandas e imprimi-las no espaço por meio de cores, layouts, produtos e mobiliários que acolhem e confortam aqueles que passam horas e horas ali dentro.

Assim, se eu puder deixar uma sugestão a todos que estão trabalhando na adaptação das milhares de empresas brasileiras que passaram a adotar o trabalho híbrido, essa sugestão seria: estude todas as possibilidades, mas, antes de tudo,preste muita atenção quando for à empresa e, se possível, ouça os envolvidos naquele espaço.

* Lisandra Mascotto, da RS Design, é especialista em mobiliário corporativo, tem mais de 25 anos de experiência no segmento e atua com conceitos que estimulam conexões entre as pessoas, por meio do mobiliário, colaborando em projetos corporativos humanizados e funcionais.
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