Conexões e flexibilidade como alicerces de projetos humanizados

Conexões e flexibilidade são características do escritório da Vocon em Cleveland

Conexões e flexibilidade são características do escritório da Vocon em Cleveland

Cada país tem suas particularidades. Cada sociedade, seus ideais. Mas na arquitetura, alguns aspectos e algumas tendências são comuns à todas as nações. E a busca pela construção de espaços mais humanizados e que promovam a saúde é um desses objetivos mundiais.

Quando falamos de arquitetura corporativa, sempre mencionamos a necessidade de considerar as empresas como organismos vivos, que mudam e se desenvolvem. Paralelamente a isso, nos últimos anos o mercado enfatiza os estudos da neuroarquitetura (clique AQUI para entender mais sobre esse conceito) trabalhando, nos projetos, dados de pesquisas científicas que mostram o intenso impacto das construções na vida humana.

E para balizar cada vez mais esses conceitos, muitos renomados profissionais da área falam sobre como a arquitetura vem mudando a fim de suprir as atuais demandas da humanidade. Mesmo não entrando em questões científicas ou mesmo sem abordar estudos da neurociência, muitos desses profissionais trabalham conceitos que vão ao encontro do que tanto prezamos dentro da arquitetura corporativa.

É o caso de Elizabeth de Portzamparc, arquiteta carioca que faz sucesso na França e que em março deste ano concedeu uma interessante entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na qual aborda conexões humanas e flexibilidade como alguns dos alicerces de projetos humanizados.

“Essas conexões, que se enriquecem mutuamente, estão em todos os meus projetos. Somente por meio de uma abordagem holística é que a arquitetura vai escapar da obsolescência”, disse Elizabeth à repórter.

A brasileira natural do Rio de Janeiro, Elizabeth de Portzamparc. Crédito: Portal Elizabeth de Portzamparc

A brasileira natural do Rio de Janeiro, Elizabeth de Portzamparc. Crédito: Portal Elizabeth de Portzamparc

Vivendo há mais de quatro décadas em Paris, a brasileira que é arquiteta, urbanista e designer acredita que em termos arquitetônicos, o mundo inteiro se identifica com a necessidade de conexões. Para ela, todo o ambiente construído pelo homem se volta ao contato humano, pois “a carência desses elementos leva ao isolamento e sabemos que as relações sociais são essenciais”. A especialista afirma que são essas relações as grandes responsáveis pela produção da inteligência coletiva que possibilita, ao homem, enfrentar todas as crises à que é exposto. Aqui no Espaço do Arquiteto, já falamos sobre os graves problemas causados pelo isolamento (confira AQUI).

Mencionando, também na entrevista, a importância da flexibilidade, a arquiteta dá uma aula que serve profundamente aos profissionais dedicados à construção de ambientes corporativos ao dizer que “as construções precisam abrigar, desde seu início, possíveis invenções que possam ocorrer no futuro”.

Na arquitetura corporativa, essa flexibilidaderemete à necessidade de o espaço considerar mudanças estruturais em um futuro próximo a fim de garantir economia de recursos e de atender às demandas de um organismo vivo e que se desenvolve, sendo capaz de crescer em número de funcionários, enxugar a equipe, mudar de espaço e até mesmo de cidade.
Além disso, podemos vincular à tão famosa flexibilidade à um espaço físico capaz de suprir as necessidades de uma ampla gama de perfis profissionais, é o que explicamos no post “Invista em flexibilidade – Números comprovam que é preciso diversificar”.

No escritório da Lift& Co em Toronto, os profissionais têm inúmeros espaços de trabalho.

No escritório da Lift& Co em Toronto, os profissionais têm inúmeros espaços de trabalho.

Flexibilização e sociabilidade são apenas alguns dos pontos capazes de transformar um ambiente corporativo. Para flexibilizar, é preciso investir em infraestrutura técnica que permita que o profissional trabalhe com qualidade de qualquer ponto do espaço; apostar em um mobiliário adequado às necessidades de todos e que possa ser adaptado conforme o desenvolvimento da corporação; investir em diversidade, oferecer novas possibilidades que fogem do padrão que foi exaustivamente trabalhado ao longo das últimas décadas na qual todos trabalhavam exclusivamente em suas estações de trabalho. Hoje as empresas oferecem mesas com alturas diferentes, arquibancadas, pufes, sofás, poltronas e muitas outras possibilidades.

Em termos de conexões sociais, garantir espaços para integração é indispensável. Permitir a movimentação dos times e o encontro de profissionais para troca de conhecimentos e experiências motiva e engaja. Espaços para cafés e pequenas reuniões informais, salas de treinamento, salas de reuniões e breakoutspaces são apenas alguma das ideias entre tantas possibilidades.

Cada vez mais percebemos o tanto que o espaço físico impacta no comportamento das pessoas. Então, o importante é trabalhar no projeto para que este impacto seja o mais benéfico possível para os profissionais e, por consequência, para a empresa.

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