Arquitetura e Facility Management – Uma parceria de sucesso

Arquitetura e Facility Management - Uma parceria de sucesso

Léa Lobo é a entrevistada do Espaço do Arquiteto sobre a parceria entre Arquitetura e Facility Management nos projetos de escritórios, conseguindo resultados melhores para pessoas e empresas.

De alguns anos para cá, a parceria entre os profissionais de arquitetura e de facility management foi se tornando a cada dia mais sólida, principalmente na construção de ambientes corporativos mais saudáveis e eficientes. Mas, por que essa aproximação?

Para nos aprofundarmos nessa temática, conversamos com Léa Lobo, empreendedora, administradora e jornalista com MBA em Gerenciamento de Facilidades pela Universidade de São Paulo (USP). Léa é pioneira na disseminação do Facility Management no Brasil, mesmo antes de o conceito sequer ser mencionado no país. Levanta essa bandeira há mais de 23 anos por meio das plataformas de comunicação da InfraFM (revista, portal de notícias, eventos e feiras), hub especializado no tema do Corporate Real Estate.

Nesse papo exclusivo para o Espaço do Arquiteto, a especialista fala sobre a relação proveitosa dos arquitetos com os facility managers, além de detalhar como se desdobra essa parceria e quais os benefícios finais para os ocupantes dos ambientes construídos.

Confira a entrevista na íntegra!

Espaço do Arquiteto – Arquitetura e Facility Management (FM) são duas áreas que se complementam? Como e por quê?

Os profissionais que atuam em Facility Management (facility manager, building manager, workplaces manager, gestores de infraestrutura etc.) são grandes conhecedores dos fluxos de trabalho e operação dentro dos empreendimentos. Esse know-how contribui com as equipes de arquitetura para projetar de forma muito mais detalhada, com vivências no dia a dia da operação – da vida como ela realmente é.  Sempre sugiro que os arquitetos compartilhem seus projetos com o pessoal de FM, que certamente farão observações que deixará o espaço ainda mais eficiente e com menos riscos de alterações.

Espaço do Arquiteto – Qual a importância dessa relação para a construção de ambientes corporativos atrativos e saudáveis?

Léa Lobo – Quando se fala em ambientes saudáveis, estamos falando de ambientes que sejam operacionais, fluídos, boa acústica, adequadamente climatizados etc. Da mesma maneira, é importante que os temas da limpeza, conservação, manutenção sejam vistos como serviços à favor da saúde das pessoas. Não dá para investir milhões na construção, ter um projeto assinado por um arquiteto de renome e na hora de manter o espaço funcionando, contratar um serviço (facility services) de limpeza, manutenção ou de climatização de segunda linha que além de causar problemas para a saúde, reduz sobremaneira a produtividade dos colaboradores.

Espaço do Arquiteto – Com a pandemia de covid-19 modificando as estruturas dos escritórios essa parceria torna-se ainda mais valiosa?

Léa Lobo – Sim. Os FMers (Facilities Managers) cuidam do dia a dia (backoffice) dos espaços de trabalho e foram eles que ficaram à frente das questões da pandemia para assegurar a saúde das pessoas e a qualidade das instalações prediais. Aliás, temos a ISO 41.011: 2017 específica da área que define a atividade: “O QUE É FACILITY MANAGEMENT – Função organizacional que integra pessoas, espaços e processos dentro de um ambiente construído com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas e a produtividade do negócio”.

Espaço do Arquiteto – Quando pensamos em espaços sustentáveis, a gestão de facilities também pode contribuir?

Léa Lobo – Com absoluta certeza. Vale destacar que ESG vai além da sustentabilidade ambiental. ESG não é luxo, é questão de sobrevivência e competitividade, por isso, é tão importante que as empresas coloquem ESG em sua agenda prioritária, seja nas ações do “core business”, sejam nas ações do “non core business”, onde os FMers atuam. 

  • Environmental (Práticas Ambientais) – Os FMers ajudam a reduzir o impacto ambiental e atuam, por exemplo, diante de questões como aquecimento global e emissão de carbono, com projetos de eficiência energética, hídrica, gestão de resíduos, entre outros.
  • Social (Social) – Os FMers, por serem grandes contratantes, respeitam os seus parceiros: clientes e funcionários. Inclusão e diversidade; engajamento dos funcionários; privacidade e proteção de dados.
  • Governance (Governança) – Os FMers procuram adotar as melhores práticas para adicionar valor na gestão corporativa, através de ética e transparência, por exemplo. 

Espaço do Arquiteto – Em uma época de alta da inflação onde as empresas estão ainda mais focadas em redução de custos, essa união também pode ser proveitosa?

Léa Lobo – Ninguém faz nada sozinho. Quanto melhor for a gestação de um projeto de arquitetura, ou mesmo um projeto de modernização ou retrofit, menores serão seus impactos na manutenção dos prédios/espaços de trabalho ao longo do tempo. Um prédio pode durar 50, 70 anos e quanto mais fácil for a sua manutenção, quanto melhor forem estas instalações, para que ele não perca valor imobiliário durante sua vida útil, menores serão os custos de manutenção para proprietários e investidores.

Espaço do Arquiteto – Quais as características positivas de um ambiente corporativo esquematizado por um arquiteto em parceria com um profissional de facilities?

Léa Lobo – Cada profissional tem sua competência, seu talento, seu conhecimento, suas experiências de vida e sua vivência na sua área profissional. A união desse know-how é muito positiva. Enfim, duas pessoas, quando capacitadas, pensam muito melhor do que uma sozinha. Quanto mais competências incorporamos num projeto, melhor será o seu resultado para o dia a dia da operação predial.

 

”Aqui, no Espaço do Arquiteto, concordamos com a Léa Lobo e acreditamos que a união de conhecimentos profissionais de diversas áreas levam o projeto corporativo para um outro patamar, no qual as pessoas e suas atividades são as diretrizes para as concepções dos espaços, visando o melhor aproveitamento de recursos da empresa e sempre pensando em possibilidades de mudanças e manutenção. Assim, os espaços ganham vida realmente e são altamente eficientes para as pessoas e para as companhias.”

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