O Futuro à água pertence?

Cidades flutuantes adaptáveis e sustentáveis já despertam a atenção da ONU. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

Cidades flutuantes adaptáveis e sustentáveis já despertam a atenção da ONU. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

O aquecimento global – que há tantos anos vem sendo tema de debate mundial e motivo de preocupação – gera uma expectativa negativa. Ao considerar que o aumento da temperatura pode ampliar o degelo nas calotas polares, cientistas e pesquisadores estão discutindo o quanto esse fator pode contribuir para a elevação do nível do mar.

Enquanto a discussão ocorre no ambiente científico, visto que estudos chegaram a apontar um aumento de até 60 centímetros no nível do mar em algumas regiões até o final do século, mas esses dados vêm sendo questionados pela comunidade, os arquitetos e urbanistas estão se preparando para lidar com esse desafio que pode surgir. Pois além da dificuldade climática, há uma necessidade latente de expansão imobiliária em centros urbanos nos litorais do mundo.

É o caso de Singapura, no sudeste asiático, que, considerada uma das cinco cidades mais caras e densas do globo, precisa de ao menos 50 quilômetros quadrados novos de espaço para acomodar a sua população que deve ultrapassar 6,9 milhões de pessoas em 2030.

Se algumas das principais cidades do mundo forem tomadas pela água ou se não mais houver espaço para abrigar tantos novos moradores, como serão realocados todos esses cidadãos?

A ideia é que as cidades respeitem as características de cada região. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

A ideia é que as cidades respeitem as características de cada região. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

Intitulado Oceanix City, o projeto de cidades flutuantes e ecológicas criado pelo escritório de arquitetura BIG em parceria com a empresa Oceanix despertou o interesse da ONU (Organização das Nações Unidas). A ideia do time desenvolvedor é organizar uma cidade flutuante composta por plataformas hexagonais que, juntas, podem se tornar a residência em alto mar de mais de 10 mil pessoas. E tudo com foco em sustentabilidade.

“Acreditamos que a humanidade pode viver em harmonia com toda a vida que se desenvolve debaixo d’água”, é o que está declarado no portal do projeto. Ancorado no que dita a Nova Agenda Urbana do ONU-Habitat (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos), as cidades flutuantes serão autossustentáveis. Isso significa que serão capazes de canalizar os fluxos de energia, água, alimentos e resíduos.

A arquitetura do projeto considera a criação de bairros modulares de dois hectares capazes de abrigar até 300 moradores cada. E o mais interessante é observar que de forma praticamente automática, o projeto segue algumas das principais diretrizes apontadas pela neuroarquitetura para a projeção de ambientes que promovam a sociabilidade e o bem-estar: em cada um desses bairros, haverá espaços de uso misto tanto para moradia quanto para trabalho.

As hortas comunitárias promovem a cultura do compartilhamento e incentiva a sociabilidade, assim como prega a neuroarquitetura. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

As hortas comunitárias promovem a cultura do compartilhamento e incentiva a sociabilidade, assim como prega a neuroarquitetura. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

Para garantir resistência ao vento, as edificações terão no máximo sete andares de altura. Além disso, apesar de serem chamadas de “flutuantes”, as plataformas não ficarão à deriva, mas sim conectadas ao fundo do mar por um material de construção inovador. E, para promover a sustentabilidade alimentar, haverá investimento em hortas comunitárias que incentivam a cultura do compartilhamento – mais uma das características desenvolvidas pela arquitetura corporativa com foco na neurociência – e do desperdício zero.

O deslocamento dentro da Oceanix City poderá ser feito tanto a pé quanto por barcos e será consenso de que a construção civil deverá priorizar o uso de matérias-primas locais como, por exemplo, o bambu que tem forte resistência e também fácil e rápido crescimento na natureza.

A proximidade do mar e a inserção de muita paisagem natural dentro das cidades também visa promoção do bem- estar e da saúde dos moradores. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

A proximidade do mar e a inserção de muita paisagem natural dentro das cidades também visa promoção do bem-estar e da saúde dos moradores. Crédito: OCEANIX / BIG-Bjarke Ingels Group

O projeto da Oceanix City aposta em alguns pilares:

  • Energia renovável e limpa por captação solar;
  • Autonomia de água doce por coleta da água da chuva somada a outras tecnologias como destilação de vapor de água e geradores de água atmosférica;
  • Alimentação com base vegetal por meio de plantações orgânicas;
  • Transformação de resíduos em energia, matérias-primas agrícolas e materiais reciclados;
  • Mobilidade compartilhada para a criação de uma comunidade integrada, mista e produtiva;
  • Regeneração dos habitats por meio de uma tecnologia inovadora capaz de produzir um material de construção naval que se fortalece – e não se desgasta – com o tempo.

Sendo a arquitetura uma área viva do conhecimento que está em constante mudança e enfrenta desafios novos diários, é importante estar por dentro de tudo o que o mundo desenvolve, pois o que está sendo traçado para o futuro pode ser, de forma rápida e interessante, aplicado no presente para a criação de ambientes construídos mais saudáveis para os seres humanos e, também, para o meio ambiente.

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