Edifícios de uso misto – Melhorias consideráveis para todos

Projeto do Tanjong Pagar Centre, em Singapura, que ilustra muito bem o conceito do uso misto. Crédito: Reprodução SOM Architecture

Projeto do Tanjong Pagar Centre, em Singapura, que ilustra muito bem o conceito do uso misto. Crédito: Reprodução SOM Architecture

Que trabalhador não sonha em morar perto do trabalho ganhando tempo e qualidade de vida? Pois os projetos de uso misto estão sendo muito bem aceitos no Brasil justamente por proporcionar essachance de forma imediata e vantajosa.

Ao reunir em um mesmo edifício espaços residenciais, salas corporativas e até mesmo lojas e ambientes comerciais, os prédios de uso misto (definição proveniente da expressão inglesa mixed use) são vistos como “salvação” por quem sofre com os deslocamentos morosos das grandes cidades.

Pensando nos termos contemporâneos e no cenário brasileiro, principalmente na metrópole São Paulo que recentemente passou por mudanças graças a aprovação do novo Plano Diretor, os prédios de uso misto também são excelentes para trazer mais vida às áreas mais comerciais, evitando que essas zonas reconhecidas por abrigar apenas prédios corporativos, fiquem “mortas” nos períodos da noite e aos finais de semana. Com mais gente circulando pelo espaço público, maior a sensação de segurança e melhor gira a economia local.

Com esse conceito ganhando força nos últimos cinco anos, a Revista Exame publicou recentemente uma matéria intitulada “8 imóveis para o morador ir trabalhar de elevador” enfatizando esse sonho de consumo do morador das grandes capitais brasileiras. A matéria, com foco em São Paulo, cita construções em Pinheiros, no Itaim, na região conhecida como Baixo Augusta e até mesmo em áreas menos comerciais, como o Tatuapé, na zona leste da capital.

Criado pelo Urban Land Institute, o estudo “Mixed-Use Development 101: The Design ofMixed-Use Buildings” aponta as principais vantagens do investimento em edifícios de uso misto. Dentre as melhorias sociais e de qualidade de vida, cita a maior conectividade social e ampliação da segurança pública; na área econômica, menciona infraestruturas e estacionamentos compartilhados; e nas melhorias ambientes relata menor dependência e trânsito mais ameno (clique AQUI para acessar a apresentação completa).

Com a história cheia de versões, há quem afirme que o primeiro prédio seguindo o conceito misto do Brasil foi o Edifício Esther. Construído na década de 1930 e inspirado na escola alemã Bauhaus, o edifício vanguardista foi pensado para atender às necessidades do industrial Paulo Nogueira, da usina de açúcar Esther. A ideia de Nogueira era ter um ambiente capaz de reunir salas comerciais, escritórios e apartamentos em dez andares. E foi esse o projeto seguido pelos arquitetos Vital Brazil e Ademar Marinho.

Imagem do Edifício Esther, em São Paulo. Crédito: Reprodução Web

Imagem do Edifício Esther, em São Paulo. Crédito: Reprodução Web

Mas engana-se quem pensa que edifícios de uso misto são apenas aqueles conglomerados espelhados nos quais os andares são divididos entre quem trabalha, quem comercializa e quem mora. Hoje alguns empreendimentos menores e menos “engessados” também ganham essa característica.

Como exemplo temos o Complexo PajuUnjeong, na Coreia do Sul, que desenvolvido pelo Studio Origin tem 564 metros quadrados de área dividida em espaços comerciais e residenciais. Composto por quatro pavimentos, o edifício oferece duas unidades com cunho comercial e mais cinco unidades para morar. O design foge daquele que estamos acostumados a observar em edifícios de uso misto no Brasil. Com apenas quatro andares, a construção assemelha-se a um galpão modernizado com linhas retas que se repetem tanto nas estruturas quanto nas janelas que são verticalmente alinhadas.

Frente do Completo PajuUnjeong que oferece salas comerciais e, também, apartamentos residenciais. Crédito: Reprodução Archdaily

Frente do Completo PajuUnjeong que oferece salas comerciais e, também, apartamentos residenciais. Crédito: Reprodução Archdaily

Essa é a comprovação de que a tendência dos espaços de uso misto chegou para ficar. Com adaptações a cada comunidade e oscilando entre estilos, os edifícios mixed-use abraçam tanto o cidadão quanto o trabalhador oferecendo ambientes extremamente humanizados e focados em ampliar a experiência dos usuários

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