Contêiner como alternativa para a arquitetura

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Um contêiner tem vida útil média de 20 anos. E depois? Quando ele já não serve mais para o transporte de mercadorias? O que fazer com todo aquele metal que já não atende mais sua função primária? Empresas e escritórios de arquitetura têm desenvolvido projetos interessantíssimos para reaproveitar esses contêineres!

Antigamente, era comum vermos contêineres antigos sendo reutilizados para a montagem de canteiros de obras. Porém, seu valor ficava restrito a este tipo de aplicação mais temporária, tendo design e novas possibilidades menosprezadas.

Com a visão mais sustentável que a arquitetura ganhou nas últimas décadas, os contêineres ganharam uma nova perspectiva. Foram reconhecidos como uma excelente oportunidade de aliar o reaproveitamento de um material ao design de ponta. Países como Japão, Holanda e Inglaterra foram alguns dos pioneiros. Mas o Brasil já está na mesma rota, de olho em boas oportunidades e investimentos neste setor. Afinal, as vantagens são muitas! Confira:

  • Reaproveitar um contêiner representa reduzir o descarte de materiais na natureza.
  • A utilização de contêineres para a montagem de ambientes é bastante rápida, visto que são desnecessários os investimentos em fundações e terraplenagem
  • Um projeto com base em contêineres poderá ser facilmente expandido de acordo com as necessidades locais, sendo abolidas grandes obras para essa expansão
  • Um projeto arquitetônico montado em um contêiner pode ser deslocado para outra instalação, garantindo a manutenção de sua estrutura principal
  • A combinação com outros materiais construtivos cria projetos únicos, diferenciados e dinâmicos
  • Há uma grande disponibilidade de contêineres em todos os cantos do mundo, sempre com custo acessível devido à necessidade de descarte do material
  • Contêineres são muito resistentes e são criados para suportar qualquer condição climática e resistir a desastres naturais tais como furacões e terremotos

Para empresas como a CT Projetistas, o investimento em contêineres é altamente viável. Responsável pela criação de um projeto comunitário que oferece suporte e apoio técnico sobre construções para comunidades carentes, a CT Projetistas criou um escritório de arquitetura móvel totalmente montado em um contêiner reaproveitado.

O projeto nomeado “Casa Fácil” tem 29 metros quadrados e custo de R$30 mil reais. É composto por um hall de entrada, uma sala de reunião, uma sala de atendimento e um banheiro. Todos os cômodos, muito bem planejados, têm janelas e são abastecidos por energia proveniente de painéis solares, ampliando ainda mais o conceito de sustentabilidade aplicado ao reuso do contêiner.

“A praticidade, a facilidade de locomoção, o baixo valor de investimento e o pouco tempo necessário para a execução do projeto são os grandes atrativos dos contêineres. Pretendemos levar o Casa Fácil aos bairros carentes e oferecer, gratuitamente, assessorias com arquitetos a fim de minimizar os custos e riscos das autoconstruções”, afirma Renato Cadaval Tognetti, CEO da CT Projetistas.

Especialista no desenvolvimento destes projetos, a empresa Costa Container, comandada pelo arquiteto Celso Costa Filho, tem a missão de unir estilo, técnica e ousadia em prol de uma arquitetura ecológica. Para isso, investe em tecnologias e conhecimentos específicos para a transformação destes contêineres em ambientes muito aconchegantes e esteticamente agradáveis.

“A consciência profissional me impeliu a buscar uma saída de estrutura racional, rápida e ecologicamente responsável”, explica Celso que garante, em seu portal na internet, ser possível entregar uma obra completa de 100m² em apenas 90 dias. A Costa Container oferece projetos personalizados e soluções que vão desde residências e escritórios moduláveis até kits móveis completos para shows compostos por palco, camarim, bar, banheiros e bilheterias.

Qual a estrutura de um contêiner e como ele é preparado para essa transformação?

Existem dois modelos tidos como padrões no mundo atual: um de 20’ e outro de 40’. São, prioritariamente, confeccionados em aço corten, com painéis laterais de chapa corrugada soldados à sua estrutura principal, pisos de compensado de madeira e têm cerca de 2,68m de pé direito. Podem suportar, em média, empilhamento de até 8 contêineres sem necessidade de estrutura auxiliar.

É possível adquirir um contêiner usado por menos de US$2 mil, o que torna o processo bastante viável financeiramente. Para transformar este contêiner em um espaço habitável, a peça deve passar por alguns processos que envolvem limpeza, funilaria, serralheria, pintura, investimento em conforto térmico, revestimento e acabamento. Tudo isso feito sempre com muita atenção e cuidado para garantir que nenhum resíduo químico e tóxico possa permanecer impregnado na estrutura.

Mesmo considerando todas essas etapas, o tempo para a montagem e instalação de uma estrutura em contêiner é curto, como explica Celso: “Para construir um pilar e uma parede numa casa de alvenaria são necessários: madeira para fazer as formas, pregos, escoras, ferro, cimento, areia, muita água, tijolos, betoneira, luz elétrica (para fazer funcionar a betoneira), pedreiro, ajudante de pedreiro, carpinteiro, armador, mestre de obra e até uma ajuda de São Pedro para que não chova; na casa container, a estrutura já está pronta, nós apenas vamos revesti-la. Essa é principal diferença”.

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Casa Fácil, da CT Projetistas, utiliza contêiner para a montagem de um escritório de arquitetura. Créditos: Divulgação CR Projetistas

Casa Fácil, da CT Projetistas, utiliza contêiner para a montagem de um escritório de arquitetura. Créditos: Divulgação CR Projetistas

Centro Comercial projetado pela Costa Container. Créditos: Divulgação Costa Container

Centro Comercial projetado pela Costa Container. Créditos: Divulgação Costa Container

Container Temporary Housing, obra de Shigeru Ban em Onagawa que serviu de alojamento temporário no pós terremoto. Crédito: Reprodução Site Oficial Shigeru Ban (www.shigerubanarchitects.com)

Container Temporary Housing, obra de Shigeru Ban em Onagawa que serviu de alojamento temporário no pós terremoto. Crédito: Reprodução Site Oficial Shigeru Ban (www.shigerubanarchitects.com)

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