O futuro do escritório já mudou: 7 movimentos que estão redesenhando o corporativo

O debate sobre “o futuro do trabalho” deixou de ser apenas sobre tendências e virou uma realidade que já está transformando decisões de investimento, estratégia imobiliária e design corporativo.

Empresas de consultoria, pesquisadores acadêmicos e gigantes do mercado já documentam mudanças estruturais na forma como o espaço de trabalho é usado, percebido e planejado. Fonte: cbre.com

O escritório deixou de ser símbolo de crescimento e passou a ser instrumento de resiliência, com implicações profundas para quem projeta esses ambientes.

A seguir, reunimos os sete movimentos estruturais que estão, de fato, redesenhando o ambiente corporativo.

1. Do crescimento à resiliência: o escritório como ativo estratégico

Durante décadas, expansão física era sinônimo de sucesso. Hoje, o foco mudou.

Relatórios globais indicam que empresas estão priorizando:

  • Renovações de contratos de locação em vez de novas construções
  • Consolidação de áreas antes de expansão
  • Infraestrutura resiliente antes de acabamentos supérfluos

O espaço corporativo passou a ser gerenciado como parte do balanço patrimonial. Modularidade, reversibilidade e adaptabilidade não são mais diferenciais: são proteção de capital.

Para arquitetos e especificadores, isso significa uma mudança importante:
é preciso falar a linguagem do CFO, não apenas a do design.

Projetos precisam demonstrar:

  • Capacidade de reconfiguração
  • Longevidade do investimento
  • Mitigação de risco imobiliário

O escritório é visto como estratégia financeira.

2. O híbrido não é mais um debate. É regra de projeto.

A ideia de “corrigir o híbrido?” ficou para trás. A inconsistência na frequência é aceita como estrutural.

Pesquisas recentes do Leesman Index e da Gensler confirmam que o modelo híbrido se consolidou globalmente como padrão estrutural, mesmo com variações culturais e regionais.

O que estamos vendo atualmente?

  • Empresas abandonaram metas rígidas de frequência.
  • A ocupação se tornou variável.
  • A previsibilidade desapareceu.

Isso significa que o arquiteto não projeta mais para uma taxa média de ocupação.
Projeta-se para a incerteza.

Layouts precisam funcionar tanto para uma taxa de 40% de ocupação ou de 70% de ocupação, ou ainda para picos inesperados.

O projeto de arquitetura corporativa utiliza o híbrido como base, mas sem esperar dados perfeitos de utilização para validar o novo modelo.

Escritório preparado para receber diversas equipes presenciais e online ao mesmo tempo, com espaços colaborativos e privativos. Mobiliário RS Design.

3. Flexibilidade virou Governança

Antes, os espaços flexíveis eram um benefício. Atualmente é exigência de governança.

Empresas estão evitando:

  • Paredes rígidas
  • Marcenaria excessivamente fixa
  • Estruturas difíceis de modificar

Mobiliário modular, divisórias móveis e layouts adaptáveis tornaram-se políticas internas de gestão.

A lógica é clara:
Tudo o que não se move pode virar ativo ocioso.

E o mobiliário corporativo deve acompanhar essa dinâmica com sistemas modulares, ergonomia ajustável e soluções inteligentes, sem a necessidade de obra.

4. Projetar gerando valor emocional

Durante anos, falar de “experiência” parecia subjetivo demais para o ambiente corporativo.

Hoje, o discurso mudou.

Estudos publicados na Harvard Business Review mostram correlação direta entre:

  • Pertencimento
  • Engajamento
  • Retenção de talentos
  • Produtividade sustentável: que é a capacidade de manter produtividade e resultados consistentes a longo prazo, sem esgotar a saúde física e mental das pessoas.

O bem-estar deixou de ser apenas discurso de RH e está sendo vinculado a resultados.

Líderes começam a reconhecer que ambientes que emocionam e geram sensação de pertencimento impactam cultura e fortalecem a marca.

Espaço preparado para gerar experiência e conexão com as pessoas. Um refúgio de regeneração dentro do escritório. Mobiliário RS Design.

Espaço preparado para gerar experiência e conexão com as pessoas. Um refúgio de regeneração dentro do escritório. Mobiliário RS Design.

5. Foco e desempenho cognitivo são infraestrutura

Durante um período, o escritório foi desenhado quase exclusivamente para colaboração.

Agora, a balança está se ajustando.

Pesquisas sobre produtividade e carga cognitiva indicam que ambientes ruidosos reduzem concentração, aumentam fadiga mental e comprometem desempenho.

O que estamos vendo no mercado:

  • Retorno dos espaços silenciosos
  • Cabines de privacidade
  • Salas de foco e vídeo privadas
  • Tratamento acústico como item essencial

Espaços de foco deixam de ser negligenciados e tornam-se infraestrutura de produtividade.

Escritório preparado com estações de trabalho (para atividades de alta produtividade) e com cabines de privacidade para favorecer o foco. Mobiliário e soluções acústicas da RS Design.

6. A transmissão em vídeo virou protagonista nas salas

Antes, a sala de reunião era projetada para quem estava presente.

Hoje, é projetada para a câmera. Para que as pessoas apareçam bem nas telas.

Ambientes preparados para transmissões em vídeo, são pensados em:

  • Iluminação frontal adequada
  • Ângulo e distância de câmera planejados
  • Fundos neutros e profissionais
  • Acústica controlada
  • Conectividade robusta

Organizações já entenderam que experiências ruins de vídeo afetam a inclusão e a imagem profissional das pessoas, prejudicando a eficiência das reuniões e percepção da marca.

É importante o planejamento de todas as necessidades para um ambiente de reuniões híbridas desde o início do projeto, pois adaptações posteriores são mais custosas e trabalhosas.

Hub de encontros do escritório da Nestlé preparado para encontros híbridos. Mobiliário da RS Design.

7. Inclusão virou indispensável

Design inclusivo não é mais uma “solicitação especial”. É princípio estruturante.

Organizações estão incorporando:

  • Ergonomia como base
  • Design universal
  • Acessibilidade integrada e não estigmatizante
  • Considerações sobre neurodiversidade

Além disso, critérios ESG e responsabilidade social estão cada vez mais presentes nas decisões da empresa, impactando na reputação da marca e retenção de talentos.

Resumo para quem projeta

O novo escritório não está sendo moldado por tendências instagramáveis.

Ele está sendo moldado por:

  • Resiliência financeira
  • Híbrido como padrão
  • Flexibilidade como política, não como tendência
  • Experiência emocional
  • Espaços de foco para melhorar o desempenho
  • Projetar espaços e infraestrutura para presencial e híbrido
  • Inclusão como premissa

A pergunta agora é:
É preciso atender todas essas demandas em um projeto corporativo?

Cada projeto é desenvolvido para uma empresa única, com suas próprias particularidades e necessidades. Por isso, é fundamental compreender profundamente sua cultura, o momento atual do negócio, suas perspectivas futuras e, principalmente, os anseios e perfis dos colaboradores.

No entanto, é possível afirmar que um projeto corporativo que contempla os tópicos abordados neste artigo demonstra alinhamento com objetivos estratégicos como crescimento sustentável, inovação e retenção de talentos.

É nesse ponto que o projeto corporativo deixa de ser apenas a definição de áreas e mobiliário e passa a integrar o planejamento estratégico da empresa, gerando impacto direto no desempenho do negócio.

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